TRANSFERÊNCIA DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO PARA O MUNDO REAL: FACTÍVEL OU UTOPIA?

Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical 32:462-464, Jul-Ago, 1999.

Gerusa Dreyer

        Aos pesquisadores foi ensinado que a sua tarefa termina quando os trabalhos são publicados. Estes podem então ser encontrados na sua forma estática – em prateleiras de bibliotecas – ou na sua forma dinâmica – navegando pela Internet. Depois da publicação, é aceitável que o cientista sinta que seu dever foi cumprido. Alguns pesquisadores, no entanto, estão certos de que seu trabalho ainda não terminou. Acham que algo ainda lhe falta. Esse era o perfil do Professor Amaury Coutinho. No Brasil, em 1948, foi o primeiro a descrever a forma da eosinofilia pulmonar tropical filariótica e os seus últimos anos de vida, plena de sabedoria foram praticamente dedicados ao estudo da filariose bancroftiana. Para a continuidade da realização plena do pesquisador que sempre perseguiu ser em vida, foi criada em sua homenagem a Organização Não Governamental (ONG) Amaury Coutinho em dezembro de 1996. Estaria assim mantida a ponte para tornar possível a continuação da transferência do conhecimento do mundo acadêmico para o mundo real.

A ONG Amaury Coutinho garantirá a existência do elo entre o conhecimento científico e a população leiga de forma adequada a sua realidade e a sua capacidade de aprendizado, além de continuar financiando a pesquisa necessária para a consecução de seus objetivos. Isso é possível através da identificação de doadores, principalmente estrangeiros, que acreditam que a participação de cada um deles em somatório com os demais fará a diferença para uma vida melhor de milhares de pessoas no mundo. O Professor Amaury Coutinho nos ensinou que o todo é maior que a soma das partes e essa experiência tem guiado o espírito harmonioso dos colaboradores que fortalecem a ONG Amaury Coutinho. A criação de uma ONG baseada na continuidade de seus sonhos dará a certeza ao pesquisador inquieto Amaury Coutinho que seu trabalho foi concluído.

Professor Amaury Coutinho, médico, foi eminente pesquisador pernambucano dedicado ao estudo de filariose linfática e esquistossomose mansônica.

Gerusa Dreyer, médica, foi a criadora da ONG Amaury Coutinho. Dedica-se à pesquisa clínica em área endêmica de bancroftose desde 1986.
 
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